sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Nossa liberdade camuflada
Post de abertura.
Finalmente um dos meus objetivos para 2009 foi concretizado, ainda estou trabalhando nos demais.
O feminismo, enquanto um movimento e uma filosofia, tem origem na Europa, a partir do século XVIII, mas somente no século seguinte o movimento passa a ter significancia, ao aliar-se aos partidos de esquerda, que precisavam de apoio popular.
No século XX, na maior parte dos países ocidentais, as mulhere passam a ter certos direitos que antes lhes eram negados, como o direito de voto, mesmo que com algumas restrições. Ainda havia muito para ser consquistado e muitas barreiras para serem quebradas.
Foram mulheres, como Simone de Beauvoir (leiam " O Segundo Sexo"), Betty Friedan, Bertha Lutz, Nísia Floresta e Anayde Beiriz, que por vezes abriram mão da felicidade individual em busca da felicidade coletiva, foram essas e tantas outras mulheres as responsáveis por querber com os antigos padrões, por nos darem o direito de amar e ser amada e a oportunidade de viver intensamente, tentando dar fim às visões retrógadas que permeavam pela mente da sociedade. Foram elas que buscaram os direitos e a liberdade que hoje temos, elas que lutaram por uma causa maior.
Eu disse a Rebecca que lamentava o fato dessas mulheres não estarem mais entre nós, não colherem os frutos de suas lutas, mas ela chamou a minha atenção para outra coisa. Muito mais lamentável é o fato de que a luta pelo fim dos antigos padrões sociais, hoje resulta numa estruturação de novos padrões.
Antes lutava-se pela liberdade, para que a mulher escolhesse se queria ou não casar-se, se seria virgem, se seria livre e independente, politizada, intelectual, dona-de-casa, mãe ou qualquer outro papel. Buscava-se uma identidade feminina, e combatia-se todo aquele preconceito.
Parece então, que atualmente a coisa toda tomou outro rumo. Novos padrões estão sendo estruturados, e é exigido da mulher que se modele à tais padrões. Hoje, a mulher deve ser linda, magra, independente, deve ser capaz de ser mãe e profissional. As adolescentes querem perder a virgindade o quanto antes, há excessões, mas aquela liberdade individual, aquele direito de poder escolher o que se quer ser e como se quer ser vai se extingindo cada dia mais.
Mulheres que optam por permanecer virgem até o casamento, que decidem dedicar-se unica e exclusivamente à casa e à família, que desejam permanecer na linhas dos antigos padrões, que não seguem os modelos de beleza valorizados atualmente, hoje são oprimidas, são tidas como mulheres atrasadas e incapazer de serem felizes.
Hoje o que temos é uma liberdade camuflada.
Dizem que o feminismo atualmente não é tão necessário, que a luta já perdeu suas reais causas. Eu discordo.
Devemos continuar buscando o que tantas outras buscaram desde o século XVIII: o fim dos padrões, a liberdade de escolha, o fim da opressão ao diferente, a possibilidade de que cada uma seja do jeito que deseja ser. Gordas, magras, altas, mães, donas-de-casa, empresárias, virgens, solteiras, lésbicas, somos todas diferentes, cada mulher tem um mundo dentro de si, um mundo só seu, é única.
Então decidi, vou tentar deixar os padrões de lado, vou buscar minha real liberdade.
p.s.: Rebecca, nossas conversas são mt instrutivas :D
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No fim das contas, o que todos nós precisamos, e a mulher em espacial por ter sido privada por muito tempo, é a liberdade. Sempre, sempre. É o ócio humano: ser livre.
ResponderExcluirA questão dos padrões tem a ver também com o capitalismo, a forma como o movimento social virou símbolo de capitalização em cima da imagem 'rebelde' da mulher que vive a dupla jornada ou a valorização delas.